O primeiro disco de um artista

O primeiro disco de um artista é uma manifesto pessoal de sua identidade musical.
É o documento de autoafirmação e autoaceitação. Uma forma de dizer pro mundo que ele é, o que ele gosta, de onde ele veio.

Tomemos por exemplo o primeiro disco do Tim Maia, de 1970, onde traz elementos nordestinos e do baião, nas canção “Padre Cícero” e “Coroné Antônio Bento”, somados ao clássico soul e funk que marcaram suas canções. Essas misturas de estilos se repetem ao longo de sua carreira, devido sua grande admiração pela cultura e musicalidade da região nordestina do Brasil, apesar de nascido no Rio de Janeiro.

Uma outro aspecto interessante são as canções em inglês “Jurema” — Que é um nome nordestino — e “Tributo à Booker Pittman”, que remarcam suas influências e o período que viveu no exterior. Esses também são elementos que se repetem ao longo de sua obra constantemente.

O estilo marcado de sua voz, os vários estilos musical misturados, ótimos arranjos formaram o que para mim é uma impressão digital do estilo de Tim Maia, e já estava tudo ali no primeiro álbum.
Para um artista que lança seu primeiro trabalho deve ser difícil pensar em como apresentar todos seus gostos, inclinações musicais, estilos preferidos, de uma forma interessante para os ouvintes. É preciso coragem e desprendimento para criar uma obra original, sem adaptação para o que é popular ou está na moda, e apresentar-se verdadeiramente.

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