Solidão

Eu não mais me preocupo com a solidão.
Eu estive sozinho durante tanto tempo da minha vida que isso já se tornou meu estado normal.
Eu nasci sozinho e morrerei sozinho.
Solidão não me afeta mais.
Eu estou condicionado à solidão.
Quando eu era criança ficava o dia inteiro sozinho em casa. Não podia sair. Não aprendi a viver na rua. A conviver com outras crianças;
Quando comecei a viver com roommates, ele evitavam a solidão da melhor maneira que conheciam: voltando ao encontro de suas famílias nos finais de semana.
Eu nunca tive família. Quando eu sentia a solidão, tinha que lidar com ela, da maneira que eu pudesse;
Imaginação, navegar pela estante de livros, assistir à TV compulsivamente…
Sair de casa era doloroso.
Sempre que eu encontrava um amigo, me tornava pegajoso.
Quando eu começava a gostar de uma menina, rapidamente dava um jeito de me afastar.
Solidão é normal. Não sei nem sair dela. É meu estado normal. É meu estado de conforto. Quando não estou sozinho me sinto estranho. Fico estressado, avexado, tenso.
Por mais que eu tente me cercar de pessoas, eu mesmo às afasto de mim, por que eu quero é ficar sozinho, por que o ser humano procura seu estado de conforto, procura aquilo que lhe é familiar, procuro o costume, o padrão, o conhecido, o fácil.
Não há nada de novo na solidão pra mim.
I’ve been alone for so much time I don’t even feel it anymore. But it still hurts.
Porque vai contra a natureza humana. O humano é social. Ele precisa da comunidade pra sobreviver. Um ajuda o outro. Sem outros não há evolução, nem reprodução.
Eu nunca tive família pra me socorrer.
Eu só tinha uma mãe, que vivia brigando comigo.
No começo fazíamos companhia um ao outro nos finais de semana.
Depois a convivência foi ficando insuportável. Hoje em dia é difícil até conversar por telefone com ela.
Fui tirado da minha família pelo exílio da realização dos sonhos de minha mãe.
Um vez a cada par de anos vou revisitá-los, como um estranho, um turista, alguém à muito perdido, esquecido, que retorna pra tomar um chá e logo vai embora.
Meus roommates davam um jeito de voltar pro conforto de suas famílias, eu me reconfortava mergulhando na internet, tentando anestesiar a dor da solidão e da crua e triste realidade.

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