Eu pensava que esse blog tinha morrido

Todos os planos pra uma “nova vida” já tinha sido tomados, mas de repente o computador retorna pra mim intacto como se fosse uma maldição—ou uma benção—E toda positividade da escolha de tomar um ponto de vista construtivo a partir de uma perda ou coisa ruim, perde sua substancialidade, me trazendo de volta pra estaca zero. Todas as coisas ruins que eu tinha canalizado para essa perda voltaram repentinamente pra mim, e ao invés de simplesmente retornar à minha rotina padrão, fiquei fragilizado, clueless, e me perdi.
De todas as coisas que eu faço, eu tenho que escolher apenas uma e fazer. Não é possível que eu não consiga. Se eu não fizer pelo menos uma bem feita, nunca vou conseguir fazer nenhuma outra. Eu estou perdido e preciso me encontrar.
É preciso dizer não para muitas idéias brilhantes e sim para apenas uma.

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E eu não escrevo mais.

Acabou meu caderninho, acabaram também meus hábitos. O único que sobreviveu foi o muay thai, o resto já era.
O roubo do meu computador me abalou muito e eu acabei me acostumando à nova realidade muito fácil, quando ele voltou, foi uma surpresa muito grande e junto com ela, aquela relação de amor e ódio que eu tenho com essa máquina.
Ela consegue ser um instrumento e ao mesmo tempo meu pior inimigo. Junto com o computador, volta o comportamento vicioso, compulsivo, a fuga, tudo de ruim…
Eu acho que eu gosto de culpar essa máquina pela minha fraqueza, mas na verdade ela é só uma válvula de escape pra muitos outros problemas e conflitos da minha vida.
O que eu tô fazendo da minha vida? Que escolhas são essas que eu tô tomando? Isso não deveria estar aqui, deveria estar no meu caderno pessoal, mas nem energia pra ir ali na esquina e comprar um eu tô tendo. Tudo é uma desculpa.
Porque eu não consigo limpar a casa? Lavar minhas roupas? A umas semanas atrás eu tava conseguindo; Alguma coisa aconteceu que me fez perder a convicção, mas eu não consigo lembrar o que foi. Eu perdi o fio da meada, perdi o ritmo e tudo desmoronou, meu caderno da rotina boa, do dia perfeito veio abaixo. Perdi todos os hábitos que eu estava construindo.
Eu vivo nesse constante constrói, desconstrói… Gosta, não gosta… Mudança direto, e depois da mudança, estagnação.
Eu vivo em um conflito constante.
Pessoas estranhas passam em frente a minha porta e me chamam atenção. Seus sons me abalam, me ferem.
Essa fragilidade emocional.

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Eu não vou votar.

Primeiro porque eu não sei nada sobre essas eleições, os candidatos, nem os partidos.
Não sei ao certo quais as atribuições de um prefeito nem de um vereador.
Segundo porque não faz a menor diferença.
A política no Brasil não é mais um caso de duas ou três maçãs podres estragando o restante.
E um balde de chorume, onde uma ou duas maçãs boas afundam e derretem sem ninguém perceber.
E eu não tô vendo nenhuma morte, nenhum atentado… Nada realmente efetivo.

O que eu vejo muito é uma polícia que espanca, humilha, arranca tatuagem, aborda gente mal vestida—a patrulha da moda—com cara de pobre, favelado, ladrão barato, criminoso ralo… Fazendo viral de whatsapp com a escória da sociedade. Qualquer ladrão de galinha vira exemplo.
Mas quando um cara rouba milhões da nação, ninguém vai lá espancar ele, humilhar, fazer de exemplo—Esses são a verdadeira escória do Brasil.
E o que eles ganham? Um mês de cárcere privado semi-aberto e todo mundo tá feliz e satisfeito. E o dinheiro roubado? Em alguma offshore ou algo parecido.

Enquanto esses caras não começarem a sofrer na pele as consequências dos seus atos esse país não vai à lugar algum. Todo mundo tá contente com os remédios, mas eu quero é a cura.
Vivemos comandados por uma quadrilha e estamos caindo direitinho no circo—no coliseu— que eles construíram pra nos entreter.

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Somos todos mentirosos.

Todos nós roubamos. Vai dizer que você nunca roubou nada, nem que seja um bombom ou uma moeda.
Todo mundo faz merda, eventualmente.
Por que um político vai ser diferente?
Do que adianta prender a Dilma, o Temer, o Lula, se você não prende o ladrão dentro de você? O corrupto, o mentiroso, o tirador-de-vantagem que vive dentro da tua mente?
De que adianta passar a vida inteira, como dizia o poeta Raul, “travando a inútil luta com os galhos”?
A única pessoa que você pode controlar é você mesmo.
A única verdadeira mudança que você pode fazer é interna.
Essa é a verdadeira batalha, que deve ser vencida a cada momento da vida.
Se você conseguir se controlar, nem que seja por um pequeno período de tempo, já fez muito mais do que esses ativistas políticos que passam o dia inteiro reclamando e julgando a ação dos outros, mas não fazem nada por si mesmos.
A partir do momento que você se controla e deliberadamente se torna uma pessoa melhor, as pessoas ao seu redor percebem isso e te tomam por exemplo.
Essa é a verdadeira revolução.

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Inspiração

Apesar de eu ser contra a construção do hábito de consumo regular de drogas e principalmente da criação de relacionamentos diretos com determinadas atividades e situações—Tipo festas, reuniões com os amigos, boosts de criatividade, realização de atividades artistas… enfim, os clichês do consumo de drogas—Todo vida que eu uso uma droga, acabo tendo um impulsionamento na minha produção artística e criativa.
Normalmente depois de uma noite de bebedeira eu acordo cheio de ideias pra textos, como esse, depois de fumar maconha surgem várias ideias, possibilidades, novos caminhos que eu não tinha visto antes, novas perspectivas.
Sem dúvida as drogas ajudam a modificar o estado mental e isso abre portas para novas conexões surgirem na mente, mas se eu transformar isso em um hábito rotineiro vou me tornar um escravo dos alteradores mentais e só vou conseguir produzir sob o efeito deles.
O verdadeiro artista trabalha todo dia, se dedica independente dos fatores externos, e encontra tudo que é preciso dentro de si mesmo.
A sensibilidade, a criatividade, a inovação, a motivação… tudo está dentro do artista e faz parte do dia-a-dia dele.
Como o Pablo Picasso brilhantemente disse, “quando vier a inspiração, que me pegue trabalhando”.

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Ensaio

Todo vida que eu estiver com alguma coisa muito forte dentro da minha cabeça eu tenho que escrever.
Sempre que eu me pegar simulando um diálogo ou um monólogo eu tenho que escrever.
Sempre que eu me pegar viajando em pensamento e formulando falas e reflexões eu tenho que escrever.
Eu sempre me esqueço disso, mas é pra isso que existem o caderno, a caneta, e editor de texto e esse blog.
Foi por isso que eu comecei a escrever e é assim que eu me livro desses pensamento que ficam grudados na minha cabeça, me assombrando, ocupando espaço, gastando tempo e energia.
Quando as reflexões acontecem ao vivo em uma conversa é show de bola, não fica guardado em lugar nenhum, além da memória dos participantes e vai ficar marcado, e vai causar reflexão… E dai surgem os melhores textos, bem elaborados, com conteúdo de qualidade, e o pensamento vai evoluindo. Mas sempre que eu me pegar fazendo esse processo sozinho, eu tenho que vir pro papel, porque está havendo um desbalanço ai.
Eu deveria estar conversando com alguém, mas estou é ensaiando uma conversa, não vai dar em nada e não vai haver interação nem evolução.
O papel é uma forma de não desperdiçar esses momentos de inspiração e conclusão e registrar para um futuro aprofundamento.

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Álcool

É muito bom sair com os amigos. Muito divertido, a gente ri, brinca pra caramba, conhece pessoas, faz presepadas. Mas é muito caro. E querendo ou não o álcool é uma droga, e não há nada de positivo nisso. Não há nada de positivo no consumo regular de álcool. Além de sair muito caro e ser um investimento vazio.
É divertido? é. Te deixa mais solto, mais à vontade, você fala mais, brinca mais, coisas engraçadas acontecem. É uma diversão, mas que não é insubstituível.
Consumir álcool é um luxo. O preço que se paga é alto, e nem sempre tudo termina bem no final de uma noite.
A bebida é o ingresso para os bares e restaurantes e esse ingresso sai caro, às vezes muito mais caro do você pode pagar.
Ainda mais eu que quero viajar, a primeira coisa que eu tenho que corta é o álcool.
É um luxo.
É algo desnecessário e substituível.
É possível se divertir, curtir, brincar, socializar, flertar, paquerar e namorar sem ele.
Pra ficar com uma mulher só é preciso conversar com ela. Falar com ele e mostrar sua verdade. Olhar nos olhos e se comunicar. Basta ter comunicação;
Não precisa de carro, roupa cara, bebida, dinheiro, perfume, técnica, plano, frases decoradas… Simplesmente seja uma pessoa, um humano interagindo com outro.
Não é preciso gastar muito dinheiro pra se divertir. Sair com os amigos não precisa ser caro.
Ainda mais quando se tem um objetivo na vida, quando os planos são grandes e diferentes.
Não vou deixar de viver minha vida agora para viajar no futuro, mas também não posso viver de falsos-luxos, grandes gastos, festas vazias e ilusões.
Infelizmente essa é a visão que muitos ainda tem da vida. Que para se divertir tem que ser caro, bonito, cheiroso, num lugar decorado, todo mundo enfeitado, gastando dinheiro e se drogando. Não precisa ser assim.
Nenhum droga é sinônimo de felicidade nem obrigação pra uma festa ou interação social.
Eu tenho que aprender a cortar essas amarras da pressão social de seguir um padrão e viver a vida como ela tem que ser vivida, simples e crua.
Consumo de drogas não deve ser um hábito nem uma constante relacionada ao divertimento.
Diversão não deve ser cara nem difícil.

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