Vizinhos

Taí um negócio que eu odeio é vizinho.
Só fala merda, só perde tempo.
Odeio que venha falar comigo, odeio que dê bom dia, que passei em frente à minha casa, que faça barulho, que exista.
Principalmente vizinho que quer ter paz.
Principalmente vizinho que quer ser certo.
Principalmente vizinho “amigo de todos”.
Principalmente vizinho com complexo de síndico.
Principalmente a patrulha da boa vizinhança.
Principalmente vizinho fofoqueiro. Bisbilhoteiro. Curioso.
Como eu odeio.

Só tem dois vizinhos que eu gosto: gente que gosta de fazer festa e chamar mulher pras festas. Muito massa. Ai eu não me importo não. Se objetivo é festa, vamos fazer festa.

Ou então o vizinho que você nunca vê nem ouve. Que as vezes você até se questiona sobre sua existência. Ah ser abençoado!

Ou um ou outro.
Mas vizinho que gosta de ficar conversando água nas varandas e esquinas, pelo amor de deus, ô raça desgraçada. Quem foi que inventou essa merda?
Nem é comportado e nem faz silêncio, nem é massa e nem faz festa. Um bando de inúteis.
Pense num povo desocupado.
Odeio vizinho. Pra sempre.

Sempre que penso nisso lembro do Thoreau e como ele viveu durante um bom tempo à um raio de um quilômetro de distância de qualquer vizinho. E fico imaginando como ele deve ter sido feliz nessa época.

Eu queria só um lugar pra tacar o pau no som alto, e não precisar ouvir zuada de ninguém. Ser o senhor da minha própria zuada. E do meu silêncio.

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