Vida econômica

Meu provedor de internet compartilhada predial improvisado e pirata, que paga minhas contas e aparentemente é ilegal, está sendo ameaçado. O provedor pode cortar a net a qualquer momento e a polícia pode bater na minha porta, apreender tudo e ainda me levar preso.
Uma notificação do provedor chegou por forma de carta, eu contei pros meus amigos e a noticia se espalhou por todo o prédio, criando uma onda de fofocas e conversas paralelas. Essa ameaça me deixou com medo, dor de cabeça e desespero.
Como medidas paliativas, removi meu anúncio do corredor do prédio, tive que dar satisfação pra todas as pessoas que eu conhecia, escondi os equipamentos, mudando-os de lugar e comecei a usar o dhcp do meu roteador doméstico, ao invés do roteador do meu provedor, como muito amadoramente estava fazendo anteriormente.
Contratei outra empresa disposta à negociar e tentei cancelar o provedor atual. Como têm um multa de rescisão contratual, vou segurar mais uns três meses e depois tento trocar pra outro provedor, já que eles não querem negociar.
Se não der certo vou tentar passar para algum vizinho, o que tem tudo pra não dar certo, já que envolve muitos detalhes que podem comprometer as outras partes envolvidas.

No dia em que troquei os equipamentos, dois clientes ficaram fora do ar. A Dora é a que mais reclama, mas não larga. Como o Paulinho disse, clientes são assim, reclamam, reclamam mas não saem.
Devidos aos constantes problemas e oscilações na rede acabei perdendo dois clientes.

De vez em quando eu vacilo com essa rede, digo que não gosto, mas agora que estão ameaçando tirar-lá estou começando a dar valor. Foi assim com o computador, com a namorada e agora com a gatonet.

Eu ganhava aproximadamente 1200 reais por mês.
550 vinham da internet compartilhada improvisada, outros 400 vinham de uma bolsa da UFC que só vai até Janeiro e os 200 restantes de um bico com uma empresa de um amigo que muito provavelmente vai acabar em Janeiro também.

Eu preciso de algum negócio pra me sustentar.

Se a net morrer, eu posso me mudar, ela é o que me prende ao apê, que custa muito caro. A facu me prende à Quixadá, mas eu já percebi que se quiser terminar essa porra, tenho que ler o texto do meu TCC, me dedicar à detalhes, enfim… trabalhar. Gastar algumas horas, isso eu já aceitei.

Eu sempre vejo essa faculdade como uma prisão que estou constantemente tentando fugir. Acho que eu complexei todos meu problemas e frustrações nela e transformei ela em uma espécie de Golias que eu tenho que derrotar pra conseguir finalmente continuar vivendo minha vida e finalmente caminhar com minhas próprias pernas pelos caminhos que minha vontade desejar.
Pra sair de casa eu tenho que quitar meus débitos: um aluguel atrasado e uma pintura: 550.
O ideal seria se conseguisse vender a piratinha, mas não sei como.

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