Meu caderno

Um caderno de 8 reais era tudo que eu precisava. E mesmo assim foi tão difícil. Eu precisei gastar vários dólares em cadernos caros e bonitos pra me sentir apto a escrever—registrar minhas ideias. Tive que riscar vários blocos de rascunho pra perceber que o papel não importa—o meio não importa. O que importa é a ideia. E ideia eu tenho muita, só boto poucas em prática.
Até caneta cara eu comprei. Tudo inútil. Tudo desculpa. Empecilhos. Quem quer escrever, escreve. Não importa onde, nem como. Risca a parede, se tatua, escreve com o próprio sangue.
A vontade de expressar e compartilhar supera tudo.

Caderninho de oito reais.
Forças reativas.
You’re doing something.
Providing service.
Creating value.
Sharing.
Creating wealth.
Some people can’t work with it.

Quando alguém está fazendo alguma coisa, o mundo inteiro se junta pra atrapalhar.
Como pode uma denúncia de um cliente da Oi de que o meu sinal está atrapalhando o dele?
Isso não faz muito sentido. Por causa disso vou ter que esconder os SSIDs, mudar os nomes, atualizar as senhas, comprar uma RB e fazer controle de banda.

Vai trabalhar vagabundo.

Meu dinheiro está todo aplicado: muay thai e piratinha.

Não existe calmaria.
Será que esse é um desejo meu que se torna realidade? Uma crença enraizada que se transforma em realidade? E se eu começar a acreditar que tudo é fácil e simples?

Ter uma empresa é consumir todo seu tempo. Ela te puxa e te suga. Firefighting all the time, new issues, new problems, unexpected businesses, clientes entrando e saindo, modificações, empresas concorrentes querendo me derrubar, vizinhos invejosos, cobiça, sucesso e estresse.

Parece que tem alguma pessoa aqui do prédio ligando pra brisanet e me denunciando.
Eu odeio morar aqui. Tenho que estar sempre me policiando. Não posso fazer barulho pra não perturbar os vizinhos. Não posso tocar ukulele ou violão, pra não acordar meu roommate.
Não posso ligar o som alto. Não posso batucar.
Sempre pensando no outro.

O músico é um egoísta.
Ele que emitir seus próprios sons, quando quiser, na intensidade que quiser.
Ele que silêncio quando quiser. Ele não quer estar à mercê do som dos outros. Ele quer ser o senhor de seus ouvidos, de sua boca e de seus instrumentos. Ele quer fazer barulho quando bem entender. Quando quiser. Bel-prazer.
O homem que mora sozinho também. A casa é sua, faça o que quiser com ela. O barulho é seu. Não se importe.

Advertisements
Standard

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s