Resumo da doutrina Espírita

A alma não depurada conserva as idéias, as tendências, o caráter e as paixões que tinha sobre a Terra. Esta máxima: vale mais receber que cometer uma injustiça contém o mesmo pensamento que Jesus exprime, quinhentos anos mais tarde, por esta figura: “Se alguém vos bate sobre uma face, estendei-lhe ainda a outra”.

Se ilude o homem que considera as coisas de baixo, do terra-a-terra, do ponto de vista material; para apreciá-las com justeza, é preciso vê-las de cima, quer dizer, do ponto de vista espiritual, pois é depois desta vida que as consequências se dão. O verdadeiro sábio deve, de alguma sorte, isolar a alma do corpo, para ver com os olhos do Espírito.

Tivessem Sócrates e Platão conhecido os ensinamentos que o Cristo daria cinco séculos mais tarde, e não haveriam de falar de outra forma. Sócrates, Platão e os grandes filósofos de seu tempo puderam estar, depois, entre aqueles que secundaram o Cristo na sua divina missão, e que foram escolhidos precisamente porque tinham, mais que os outros, a compreensão de seus sublimes ensinamentos; que eles podem, enfim, hoje, fazer parte da plêiade de Espíritos encarregados de virem ensinar aos homens as mesmas verdades.

O amor, que deve unir os homens por um laço fraternal, é uma consequência dessa teoria de Platão sobre o amor universal como lei natural. E é este mesmo amor que resume inteiramente a doutrina de Jesus, pois o verdadeiro amor é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado.

No seu início, o homem não tem senão instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas este sol interior que condensa e reúne em seu foco ardente todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas.

A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres e aniquila as misérias sociais. Feliz aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor seus irmãos em dores! Feliz aquele que ama, porque não conhece nem a angústia da alma, nem a miséria do corpo; seus pés são leves, e vive como que transportado para fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou esta palavra divina – amor – , ela fez estremecer os povos, e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.

Revivesse Platão hoje, e encontraria as coisas aproximadamente como no seu tempo, e poderia ter a mesma linguagem. Sócrates também encontraria pessoas para se escarnecerem de sua crença nos Espíritos, e tratá-lo de louco, assim como a seu discípulo Platão. Foi por ter professado esses princípios que Sócrates foi primeiro ridicularizado, depois acusado de impiedade, e condenado a beber cicuta; tanto isso é certo que as grandes verdades novas, levantando contra si os interesses e os preconceitos que machucam, não podem se estabelecer sem luta e sem fazer mártires.

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