Beleza – Hippias Maior – Clóvis de Barros Filho

No início da historia qualquer tema era filosófico.
Quando se pergunta o que é filosofia, quer-se saber qual os temas de estudos.
Existem temas que já foram filosóficos e hoje não são mais.
Exemplo: Até século dezoito reflexão sobre quem deve mandar.
Surgiu a sociologia as ciências políticas que capam os filósofos.
Vladimir Safatle é chamado para falar de assuntos políticos com cientistas que passaram o programa todo cortando o Vladimir contra sua legitimidade de falar sobre esse assunto.

Filosofia é uma luta política. Foucault diz que o conhecimento legítimo é o resultado da luta política permanente pela definição do território legítimo do filosofia, luta essa que vem perdendo tempo a tempo.

Isso acontece através das formas próprias do mundo do conhecimento, quando não se convidam filósofos para simpósios, congressos, discussões sobre determinados assuntos.

Pierre Bourdieu diz que o campo acadêmico é espaço de luta pelos temas que podem e são discutidos.
Quem é autorizado a falar sobre ética.

Quais são os interesses envolvidos nessa disputa: Genealogia do saber (Nietzsche), Arqueologia (Foucault)

Por que a sociedade patrocinou certo tipo de pensamento? É preciso saber quem manda.
Para fazer ciência só existe uma instituições chanceladora do conhecimento, que é a universidade.

Se você bate na porta da universidade e pede para pesquisar algo, ele dizem que tem áreas de conhecimento e linhas de pesquisa, e que só tem um número delimitado de orientadores.
Para divulgar ou você publica ou vai a congresso, controlador por gatekeeper, que são autores dos livros, controladores dos centros de pesquisas, organizadores de congressos e donos das revistas. Três ou quatro.

Todo ano a presidência da república organiza um seminário sobre ética na gestão da coisa pública.
Sempre dois caras de tribunal e um de fora. Dois ministros e um professor.

Já que é na base da disputa. Qual o resultado da disputa?
Nos últimos tempos o filósofo tá autorizado a discutir três coisa: Três perguntas:
Primeira: O que é o conhecimento? O objeto não é o conhecimento do mundo. O que conhecer quer dizer? O que tem que passar pela minha cabeça para que eu possa chamar isso de conhecimento?
Nem tudo que passa pela tua cabeça se chama conhecimento.
Que relação deve haver entre o que passa pela minha cabeça e a realidade?

O jornalista tem que ser objetivo, falar a verdade. Premissa, possibilidade de dizer as coisas como elas aconteceram. O que faz o filósofo? discute. Será mesmo?
Será mesmo que alguma ideia corresponde ao mundo? Será que o que estou dizendo é correspondente ao mundo?

Como eu devo proceder para conhecer o mundo?
Essa duas preocupações sobre o conhecimento recebem o nome de epistemologia. Quer do ponto de vista metodológico, quer do ponto de vista objetivo.
Você pode concluir que não há nexo entre a realidade e o que você pensa — Ceticismo. Que tem argumentos poderosíssimos.

Segundo assunto típico: Como devemos viver. Qual é a vida boa? Melhor forma de convivência. Filosofia moral.

Terceira: Reflexão sobre o belo. Que já recebe bombardeio de outras áreas, como comunicação;
Em determinado momento o belo e o justo eram iguais.
Uma conduta justa era uma conduta bela.

Belo for dummies: Não há 180 ideias sobre o que é a beleza. Há duas ou três;
Quando alguém contempla o mundo e conclui pela beleza de uma coisa, um gesto, conclui por que?
Qual o fundamento do juízo sobre o belo?
Atriz Deborah Secco entra na sala: Ninguém dirá nada, mas ficará todo mundo babando. Da onde veio a baba? Por que ela é bela? Qual o fundamento da beleza?
Se você dizer não acho ela tudo isso, a pergunta é a mesmo, porque ela não é bonita?
Acuidade do problema: Juliana Paz, a beleza está nela mesma ou a beleza está na alegria que ele proporciona em quem observa?
A sabedoria popular diz que a beleza está nos olhos de quem vê.
Se a beleza está neles, todos têm que ver beleza nela.
Se está nos olhos, aí é a festa da pamonha.

A gente discorda muito mais sobre verdades da ciência do que sobre a beleza.
Gianecchini. Senta ao lado do professor. Quem é mais bonito? Teremos 30 a 0. Se está nos olhos de quem vê e diante de tanta diversidade ele não merecia pelo menos um voto? Não.
Qualquer assunto da briga, nessa comparação não.

Primeira grande entendimento sobre a beleza é o grego, Hippias Maior é um exemplo.
Apesar do entendimento, os debatedores não chegam a uma definição.
O diálogo conclui que não chegaram a lugar nenhum.
Sobre ética nós não temos respostas. Esse é um caminho que não chegou no final.
É diferente de um manual.
Qual o grande pano de fundo da beleza para o pensamento grego: O belo é um atributo das coisas. O belo é um traço objetivo. A beleza está no mundo.
A beleza está no mundo porque ela se manifesta nas coisas do mundo.
As eventuais discordâncias sobre o que e não é belo resultam da ignorância daquilo que é indiscutivelmente belo.
O que é indiscutivelmente belo? O que uma coisa tem que ter para ter beleza?
O belo é a harmonia do universo. A harmonia das partes que constituem o todo do universo.
Tudo que pretender ser belo tem que estar em harmonia com o todo.
A beleza das partes não está na particularidade, mas na integração com as outras partes.
Quando uma obra de arte pretende ser bela é uma imitação da harmonia do universo.
Monumentos arquitetônicos de Atenas querem imitar a natureza. Simetria é um artifício de representação da harmonia cósmica.
As figuras geométricas que apontam para o cíclico são outro artifício. O belo é a natureza, a arte é a imitação da natureza;

Conduta bela é a justa.
Justiça é sinônimo de justeza, encaixe. Desencaixar do todo é promover desarranjo total.

Como eu posso chegar à beleza? Eu só posso reconhecer a beleza no particular se eu dispuser da beleza presente em tudo que é belo, se eu dispuser da ideia de beleza.
Graças a ideia eu poderei identificar o particular. Essência ou ideia de beleza.

Contemplo tudo que é belo, vou anotando o que tem em comum e as interseções são a essência.
Veja da onde você partiu, eu contemplo tudo que é belo e acho o que há de bom, mas como que você sabe que é bom se você não tem a ideia?
Como saber o que é belo antes de saber o que é a beleza?
A beleza é presente no mundo quando está presente nas coisas. É universal e a ideia de beleza, é a mesma para todo mundo.
Graças a alma, a razão e o pensamento que você vai identificar a beleza em si.
O Hippias Maior fica desmontando teorias equivocadas, pelo menos esses erros você não cometerá. O projeto socrático ensina um jeito de pensar, isso aqui é uma obra inacabada, um projeto, uma discussão que foi plantada quatro séculos antes de cristo e continua até hoje.

Dando um grande salto até 1600, aparecem camaradas que patrocinam o que chamamos de revolução científica. Eles propõem que o universo não é ordenado. O cosmos não existe.
(Os três patetas da sociologia: Marx, Weber e Durkheim) Os três patetas da revolução científica são Copérnico, Galileu e Newton. O universo grego não existe, finito e ordenado.
O que queria dizer a ordem para os gregos? As existências dos particulares só tinham sentido dentro do todo. Cada coisa no universo tem um papel para o todo. Causa final. Tudo tem uma função;
Cientistas dizem que não. A finalidade não é causa. O vento venta como pura equação de eventualidade. O vento venta com efeito.
Aristotélicos diriam que todos os atributos de um ser se justificam porque alguém nasceu para dar aula, se não der aula será uma aberração. Quando ele dá aula o universo sorri.
Modernos diriam que ele nasceu porque deram uma bimbada. As aptidões são decorrentes de uma equação chamada de genética-cromossômica. Se foi dar aula é porque não sobrou nada para fazer, entre camelô e dar aula, aula era mais vantajoso. Não nasceu para dar aula. As coisas são o que são.
A finalidade é uma ilusão do homem para conferir à vida algum sentido.

Pra que eu vivo? Não há resposta, a vida não tem sentido, porque o universo é infinito, não tem norte, não têm sul.
Há, mas é muito duro viver assim, então vamos nos iludir, eu nasci para dar aula.
O Descartes para situar um ponto A teve que combinar com a gente, vamos fingir que tem os eixos.
Tudo é só uma convenção. O universo não tem nem é referência. Infinito e caótico.

Os modernos devem ter entrado em parafuso, de repente nada era certo.

Se o belo era a harmonia do universo, e o todo não é organizado, fudeu com a beleza.

As colunas são a representação do mundo como gostaríamos que fosse, mas não de como ele é.
A arquitetura não é uma representação da harmonia da natureza, das formas geométricas harmônicas ou das formas reconfortantes, mas sim das ideias que temos sobre como gostaríamos que as coisas fossem, sobre como achamos que devem ser, sobre uma equação entre utilidade, objetividade, beleza e organização;

Deborah Secco é a imitação mais perfeita da ordem universal, daí vem alguém e diz que não tem ordem, daí você fica sem fundamento.

Quando o homem perde o fundamento cósmico da beleza ele não perde a intuição, mas é preciso refundá-la.
Deslocamento do fundamento da beleza para o homem que contempla. Um deslocamento para o observador. É o observador, o fundamento da beleza.

História para vestibular, giro antropocêntrico. O homem passa a ser o centro do universo. Veio do fato que não tinha outro jeito. O universo se espatifou. Deus, que era outra referência, virou uma zona.
Eu vou tirar fundamento pra vida de mim.
A moça entra, ela é bela porque eu comparei ela com a ordem universal.
Não tendo ordem universal eu não tenho como comparar, eu só posso tirar a beleza de mim.
Subjetivação do fundamento do belo.

Olhos de quem vê.
Depende do que você entende por olhos. Proposta cartesiana, clássica. O belo é o que o homem entende com verdadeiro. A primeiro proposta da subjetivação. Só o verdadeiro é belo. Racionalização. O verdadeiro é o matemático. Música: O Jardim de Versailles. Tem losangos, todo geométrico, à francesa, diferente do à inglesa, que é uma zona.
O que mudou dos gregos para o classicismos? Houve uma humanização racional do belo. O belo é a geometria como produção humana.

Segunda alternativa, sensibilista, sensorial, sensitiva: A beleza não é um atributo do mundo, está no sujeito, mas o que o homem considera belo é o que lhe agrada, aos sentidos, ao corpo, aos apetites, aos olhos. Não o verdadeiro.
O belo é o que alegra. Alegria é toda passagem para um estado mais contente.
E se alegra uns e entristece outros? Nenhum problema, belo pra uns, feio pra outros.
Três visões: cosmos, racionalidade e sensibilidade.
Estética vem do grego Aesthesis, que quer dizer sensibilidade.
A teoria do belo se converte em estética quando o homem admite como fundamento da beleza a sua sensibilidade, encantamento, apetite.
Brincadeira de David Hillman, o rei desconfiado da estética, desconfiado da pertinência da sensibilidade como fundamento da beleza, resolve colocar à prova um especialista.
Ele pega um tonel de vinho e oferece à dois enólogos. O primeiro degusta o vinho e diz: O vinho é bom, mas tem um leve gosto de couro. O rei cheio de alegria — Esses caras são uns picaretas.
O segundo diz que tem um leve gosto de metal. O rei pensa — Um mais canalha que o outro.
No fundo do tonel tinha um chaveiro de couro e uma chave.

A pertinência: Se a beleza tem como fundamento a sensibilidade de cada corpo, como justificar tanta concordância. Apesar de sermos corpos diferentes, temos os mesmo instrumentos de tangência com o mundo. Se há uma relativa coincidência sobre as inclinações estéticas é porque há uma enorme coincidência de instrumentos?

Se você tivesse 50 olhos o mundo seria outro e a beleza também.

O que David Hillman quer dizer é que existe uma espécie de mediocridade de sensibilidade.
Isso significa que pelo fato de termos um aparelho sensível semelhante, somos preparados para sentir de maneira muito semelhante.
Socialização estética. Somos ensinados o que é belo durante a vida.
Nossa sensibilidade nos aproxima muito mais do que a nossa inteligência.
A discrepância de competência de dicção é muito mais gritante do que à de sensibilidade.

As editoras universitárias têm sempre as melhores traduções. O que se encontra em bancas de jornal é o que há de pior.
A filosofia com o texto mais ou menos, imagine se a tradução é uma bosta e era nos conceitos.

Hippias Maior começa com um prólogo: Linhas 281A até 286C.
Em seguida as três definições de Hippias: Linhas 286C à 293D.
Depois as três reflexões de Sócrates: 293E à 304E.

Prólogo, o tema do belo entra no diálogo tardiamente. É uma conversa de Hippias com Sócrates, a conversa vai com Hippias contando o que ele faz, que é um sofista.
O que faz um sofista? O importa é perceber que essa forma de pensar te ajuda a entender qualquer outro diálogo.
Ser sofista é alguém que tem na Ágora um papel destacado.
Competência pra defender interesses com competência e eficácia.
Hippias é um cara com competências alinhadas às necessidades de mercado.
Um especialista no convencimento. E não na verdade.
O argumento depende do auditório. A preocupação não está no que eu digo mas no efeito do que eu digo.
O marqueteiro, publicitário só se preocupa com efeito, adequar a mensagem ao auditório.
Falseia o discurso em nome de uma certa eficácia.
Lula 1 vs Collor: Autenticidade, barba, derrota.
Lula 2 vs FHC = derrota.
Lula 3 vs FHC = derrota.
Lula 4 vs José Serra = Vitória: agora eu digo o que vocês querem ouvir.

Dizer a verdade é muito menos importante do que a capacidade de convencer.

2, Hippias não era ateniense, como a maioria dos sofistas. Platão tinha um enorme desapreço nessa estrangeiridade.
3, Hippias é professor e ensina a arte de convencer, e cobra. Formador da elite. Hippias portanto, poderia ser apresentado com um mercenário, enganador e estrangeiro paraquedista e aproveitador.

Haverá quem tenha pelo sofista uma enorme simpatia: Nietzsche em o Crepúsculo dos Ídolos, no capítulo O Caso Sócrates. Nietzsche é um blasfemador, mas por detrás de tudo aquilo, ele diz que o sofista é quase um poeta, e quando ele fala, o que importa no que ele diz é a arte da retórica, o valor do seu trabalho está no envolvimento afetivo que ele consegue a partir do que ele diz.
Nesse sentido o sofista é um artista, que faz do seu trabalho a excelência do seu próprio ser.
Sócrates que é o feio, monstruoso, invariavelmente chega atrasado, chega depois. Sempre o sofista já falou. Sócrates pede um resumo, tirando da manifestação toda sua força artística.
Sócrates é a imagem do dialético, não tem potência e fica fazendo perguntas com o intuito de desconstruir e desestruturar a força do artista. Figura asquerosa.

Tudo tem olhares e olhares.
No prólogo Hippias vira pra Sócrates e diz que fez um discurso em Esparta e que eles não curtiram, porque ele tentou convencê-los a serem professores das crianças.
Sócrates o compara aos sete sábios que se retiraram da vida pública por não concordar com o que estava acontecendo. Ao contrário, Sócrates enaltece o sucesso de Hippias em Atenas, ironicamente: Tá vendo, você não engana todo mundo. Triste Atenas. Puxa que lamentável que não deu certo em Esparta.

Cheio de ironia.
Determinado momento Sócrates diz: se você pudesse ensinar para as crianças em Esparta, ensinaria o que? Ensinaria como que a cidade deve ser governada, ensinaria a argumentar, no sentido justiça, do que é bom, do que é belo.
Se você ensinaria no sentido do que é belo é porque você conhece a beleza. Como que você pode ensinar o que é uma bela cidade sem saber o que é a beleza?

Armadilha de Sócrates. Daí começa a discussão.
Sócrates — Quando alguém afirma que uma coisa, um ser, ou uma ação é bela, e outra feia, em nome do que julgamos isto assim? Referindo-se a qual definição do belo? Utilizando que critério?

Aí então Hippias começa, Platão empresta pra Hippias o seu discurso, ele faz de Hippias um idiota.
Ele dá três resposta, todas ridículas.

Primeira definição (287E à 189D) de Hippias é: A beleza é uma jovem moça.
Aqui tem várias coisas engraçadas. Existe uma coincidência entre os exemplos.
A segunda observação: A resposta feita a caráter. Gafe de definir pelo objeto, definição tem que dar conta de todos os particulares que fazem parte daquela categoria. Particularmente agressivo. Intelectuais filósofos gostavam mesmo era de pinto. Alcibiades.
A resposta mais bizarra que alguém poderia dar, não só do ponto de vista filosófico, culturalmente também. Só é hétero os serventes de pedreiros.

O Banquete é outro diálogo que tem como tema o amor. No banquete a estrutura do diálogo é um pouco diferente. O banquete não é um nome de pessoas, é uma situação.
O amor na época chamava eros. Um debate sobre eros. Sócrates chega atrasado. Ele chega e dá a definição dele.
Hippias é chamado de diálogo aporético. Sem saída.
O banquete chega a uma conclusão. Eros é desejo, desejo é a falta.
No banquete um dos oradores é Pausânias, que vai defender a pederastia.
Ele diz que existem amores dignos e indignos. O amor é digno quando ele não é estritamente voltado ao prazer do corpo, mas implica, junto com o prazer, em primazia o desenvolvimento intelectivo. A formação intelectual dos amantes. Eu quero mais que sexo, quero conversar, etc…

Pausânias diz o que tem que acontecer para que possa haver desenvolvimento intelectual, quando isso é possível. Ele logo descarta o amor heterosexual. Por que a mulher não é considerada um ser pensante.
A mulher só vota na Suíça na década de 60 do século 20.
A mulher não era cidadã, não pensava. Primeiro você não vai aprender nada nem ensinar nada.
Nesse caso só sobrou o amor homosexual masculino. Mulher com mulher não.
Dentre os amores homossexuais, não todos. Dois idiotas, não dá em nada.
Portanto para haver desenvolvimento e amadurecimento intelectual é preciso haver algum sábio.
Dois sábios, vão conversar muito, mas vai faltar ao amor o prazer.
Um sábio e um aprendiz, esse é um único amor possível. Uma bixa velha e pedofila e um garotinho.

Estudar culturas é estudar maneiras diferentes de pensar. Isso é Platão escrevendo por Pausânias. Entendimento hegemônico. Opinião pública dominante.

Na hora que Hippias vira e diz que o belo é uma jovem menina, essa era a única coisa que ele não poderia ter dito.

Três condições para uma boa condição: Seja universal, que ele compreenda todas as particularidades do objeto da definição. Definir pelo particular: inaceitável.
Segundo, definição própria, específica ao objeto, tem que dizer tudo que o objeto é. Só o que o objeto é. Fronteira entre o que é e o que não é, do todo que é contra aquilo que não é. Universal dentro do objeto e específica ao objeto. Não pode ter coisas de fora.
Boa definição esgota o objeto mas não espirra fora.
Dizer que beleza é uma bela mulher é dar um excelente exemplo, mas só um exemplo sem nenhuma pretensão de definir.

Segunda definição (289D à 291D) de Hippias, o belo é o ouro. Tudo o que é revestido de ouro, contém ouro, é belo.
Existe nessa resposta um ganho. Quando você diz que é uma bela mulher você tá definindo pelo particular.
Na hora que você diz ouro, você tem ganho em abstração, houve um ganho em maturidade intelectual, um resposta mais ampla.
Uma mulher definiu pela mulher, agora por um atributo que qualquer coisa pode ter.
Um ganho de universalidade, de amplitude.
Mas não convêm. Por exemplo o marfim. Numa estátua de marfim, uma cabeça de marfim é mais bela do que uma cabeça de ouro — Harmonia.

O ouro não é belo em si, mas só será belo quando estiver em harmonia com o resto.

Terceira definição (291D à 293D): O belo é uma vida feliz. É a felicidade.
Teve a terceira porque as duas primeiras não deram conta. O Sócrates tá dizendo que essa é uma maneira de pensar. O diálogo é o procedimento legítimo de se chegar a verdade.
Essa é melhor do que as outras duas.
Não dependemos de particularidades. Hippias teve um insight de perceber que uma vida boa é bela.
Mas comete um erro que um grego não pode cometer. Imaginar que a sobrevida é um bem maior.
Sócrates não pode concordar por que ele foi o primeiro a abdicar da vida.
O mais valioso não é a vida. A moça não é bela em si. O ouro não é belo em si. A vida não é bela em si, por que pode ser vivida indignamente.

A primeira resposta de Sócrates é a da conveniência (293E à 295A). A segunda resposta é a da utilidade (295B à 297E). A terceira é a do prazer, da vista e da audição (297E à 304E).

Conveniência estética que é a do mármore na estátua de mármore: harmonia.
Conveniência funcional é um alinhamento entre meios e fins. Meio belo é o funcionalmente alinhado à um fim. O fato da cabeça da estátua de mármore ser de mármore não é funcional.
Que fique claro, a convivência harmônica e entre meios e fins só podem ser constatadas pela razão: os olhos da alma. Ela permite identificar essa dupla conveniência. Que na verdade é a beleza do universo. A estátua imita o cosmos. Harmonia entre as partes e os meios e fins.

Identificar o argumento: porque Sócrates considera esse argumento insuficiente?
O útil ou vantajoso e o prazeroso.

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