Relato do sonho de Samuk

agora senta e escreve
oh meu amado estou sofrendo, não posso mais viver assim sempre sofrendo a minha amado
I’m too hot, hot damn, say my name you know how I am.

Samuka estava no seu quarto. Na parede um projetor mostrava slides de livros especiais dos mórmons. A apresentação de slides, era claramente feita para impressionar jovens fãs de vídeo games e senhor dos anéis.
O nome dos livros eram dignos de uma continuação da saga do Tolkien, todos escritos em uma fonte imponente, dourada, com uma música triunfal de fundo.
Cada transição entre os slides, me lembrava de um loading de algum jogo de video game e eu percebia referências o tempo todo.
Uma espécie de gato fantasma cruzava a tela, imagens e letras pixeladas enfeitavam os slides, além de músicas que lembravam temas de jogos antigos de aventuras.
Apesar da clareza das referências, me abstive de apontá-las, pois senti que Samuka estava levemente desconfortável com a aquela situação, além de um pouco decepcionado e estranho comigo. Distante.
Tinha além de mim, uma mulher mais velha no recinto, a quem Samuka se dirigia diretamente, e narrava suas histórias através de seus slides e respondendo à pontuais perguntas e comentários dela.
Nunca, ou raramente ele se dirigia a mim, menos ainda ela. Era como se eu não estivesse ali. Fosse somente um espectador invisível. Talvez por isso me abstive em comentários e perguntas.

Dado momento da conversa, Samuka começa a desviar entre português e inglês, causando uma estranha sensação de desconforto. Um inglês levemente forçado, com uma preocupação clara no mascaramento do sotaque e na pronúncia correta e perfeita das palavras e colocações verbais.

Além disso, Samuka não se deixou prender nas indagações da mulher, forçando um fluxo de conversa totalmente baseado nos slides, que pareciam um modelo pré-estabelecido — todo baseado em um dos livros mórmons — de contar a “missão” pela qual passara recentemente.
Parecia uma espécie de texto pronto, ensaiado, que deveria se encaixar perfeitamente com a experiência de quase dois anos pela qual Samuka passara;

Os slides se encerram de forma épica, junto com a música e imagens triunfantes. Dando à odisséia de Samuka muito mais significância. Além disso, os slides já nos introduzem ao próximo livro da saga, seguindo o mesmo modelo do anterior.
Agora Samuka está mais tranquilo, e segue um rumo menos ensaiado na conversa.
Parece que agora eu vou ter uma chance de ter com meu velho amigo.
Puxo um assunto sobre minha vida, conto um pouco sobre meus estudos e experiências recentes. Samuka parece não dar muita atenção ao que falo, somente balançando a cabeça com um sorriso falso na cara.
Mostro-lhe então um interessante jogo de xadrez online. Samuka novamente, só balança a cabeça.
Daí em diante, a mulher me corta como se eu não existisse, interpelando Samuka justamente sobre o mesmo jogo que eu acabara de mencionar. Este, diferentemente dos momentos anteriores, responde de prontidão e afirma que não poderá engajar-se em partidas enquantos seus pais estiverem por perto, pois os mesmo o reprimem constantemente quanto a tais atividades.
A mulher então propõem um encontro furtivo em sua residência, com o intuito de realizar os desejos do jovem Samuka, e esse se anima e aceita de prontidão, sugerindo ainda o convite à outros sujeitos dos quais não estou ciente da existência.
Depois disso a mulher sai, Samuka senta no computador, eu do lado dele em outro computador, e ele parece, novamente, só acenar e sorrir para mim.
Depois disso acordei.

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