Deus está morto – Nietzsche – Clóvis de Barros Filho

Passemos para a segunda chave. É um conceito: A morte dos deuses.
Dentro da fórmula do Nietzsche: Por que deus morreu?
Deus morreu é uma fórmula super provocativa por que é o tipo da afirmação, obviamente improcedente. Por que se deus existe ele não pode morrer, porque deus não morre, se morrer não é deus.
Se deus não existe ele também não morre, pois para morrer é preciso ter existido.
Deus morreu é tipo da afirmação só pra encher o saco.

O que ele quer dizer com isso? Ele quer denunciar o fim de uma forma de pensar.
Essa forma de pensar, Nietzsche chama de estrutura religiosa do pensamento.
O que é isso? É a oposição definitiva entre o bem e o mal. É a oposição entre o céu e a terra.
É a oposição, como no pensamento de Agostinho, entre a cidade dos homens e a cidade de deus.
A estrutura religiosa do pensamento é a convicção de que o além é superior ao aquém, ao aqui mesmo.
Então quando Nietzsche diz que deus morreu o que ele está dizendo? Está morrendo uma maneira de pensar que apavorou a humanidade durante séculos, que é a maneira de pensar de que fora daqui é melhor do que aqui.
E ele diz: “Uma sombra aterrorizou a Europa durante séculos e essa sombra está indo embora, porque deus morreu.”
Trata-se portanto da morte de todas as visões morais tradicionais que repousam na oposição entre o real e o ideal, entre o bem e o mal, entre o justo e o injusto, o adequado e o inadequado, o honesto e o desonesto.
Todo a filosofia moral que nos apresenta uma solução dicotômica entre o certo e o errado morrerá junto com deus. Por que é deus que oferece fundamento para toda essa pataquada.
Sem deus tudo rui.

Mas é claro que com a morte de deus morrem também todos os ideais políticos das filosofias políticas, morrem todas as utopias, Atlântida, Eldorado, sociedade sem classes, sociedade dos poetas mortos, todo o catzo que o homem inventou para poder fechar os olhos para o mundo da vida.

Nietzsche vai procurar denunciar todas as muletas metafísicas.
O que faz a muleta? O teu corpo fraco e claudicante se apóia em alguma coisa que não é ele para diminuir o seu sofrimento.
Exemplo: Hare Krishna. Não tem propriedade, não tem dinheiro, todo mundo faz tudo igual, veste igual, trepa com todo mundo.
Você cria uma idealidade, daí você faz acreditar que se conseguirmos fabricar aquela idealidade vai ser show de bola. Esse muleta metafísica fica aqui mesmo, na terra.
Tem outras melhores, mais pacatas. Você precisa morrer. Mas o fato de você precisar morrer ou não precisar morrer muda muito pouco. A sociedade sem classes do Marx é o paraíso cristão, muda muito pouco. É uma idealidade. É uma coisa que você pensa. É uma utopia.
A mutela metafísica te ajuda, te acompanha. É uma espécie de modelo mental que serve de referência pra você. Isso é a pior merda que pode existir, porque ao invés de viver a vida com ela é, você passa a vida inteira pensando num mundo que não existe.

“Nós que defendemos outra fé, nós que consideramos a democracia não só como uma forma degenerada da organização política, mas como uma forma decadente e diminuída da humanidade que ela reduz à mediocridade, onde colocaremos nossa esperança?”

Uma palavrinha sobre a democracia, porque é o contrário do que você sempre ouviu. Por que a democracia é isso. Ela parte de uma premissa, que segundo Nietzsche, na vida, não se encontra em lugar nenhum, que é a da igualdade.
A ideia de que todos os votos valem igual, parte da premissa de que existe uma igualdade fundamental.
Por que razão esta é uma forma degenerada? Por que esta forma de organização política iguala desiguais.
A quem poderia interessar uma forma de organização política, onde cada um vale um?
Aos fracos.

Vamos imaginar o Schumacher. Vamos imaginar um zé-ruela, tipo Barrichello. Então, se a gente for escolher o presidente da associação dos pilotos de fórmula 1 democraticamente, cada um vale um voto. A quem pode interessar isso?
Segundo Nietzsche, que parte de uma visão muito grega, de que existem superiores e inferiores, existem dois ou três que são do caralho e a maioria que zé-ruela, nego ruim, uma barranca de nó cego, torto, vermicento.

A democracia é uma forma de organizar a sociedade, que privilegia o que é ruim.

Você entendeu que niilismo é a negação da terra, que a morte de deus é fim da oposição entre o bem e o mal, que passa tanto pelo que é religioso quanto pelo que é laico.

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