Vontade de potência e forças ativas e reativas – Nietzsche – Clóvis de Barros Filho

Terceira chave do castelo: Em que consiste o mundo da vida?
Se o niilismo é a negação do mundo da vida? O que é negado? Se a morte de deus é o fim da oposição entre o bem e o mal, aonde é o mal que é inferior ao bem.

E aqui Nietzsche vai fazer uma análise fabulosa, ele dirá que o mundo da vida é constituído por energia e essa energia que está em viventes, será denominada de vontade de potência. Que é outro título de livro, póstumo.
Um corpo movido por uma vontade de potência. É exatamente o que Espinosa chama de Potência de Agir, e é o que Schopenhauer chama de Vontade, o Bergson de Elã Vital.
E o que caracteriza um vivente com vontade de potência? Buscar mais vontade de potência.

Aqui há uma diferença com relação a Espinosa, que é muito mais pé no chão. A potência de agir do Espinosa é você procurar maximizar a alegria e diminuir a tristeza, existe uma dimensão de retranca. Se não se fuder muito, tá bom. Mais modesta.
O que a vontade de potência busca? Mais potência. O que o tesão busca? Mais tesão. O que a energia vital busca? Mais energia vital.
E buscará todas as condições para que esse tesão aumente. Se alguém dá uma palestra pra 4 mil pessoas, agora se quer 8 mil, de acordo com Nietzsche.

Potência busca mais potência. Somos energia que busca mais energia.
Isso sempre acontece? Não, porque esbarra em energia contrária.
Essa vontade de potência que contamina todos os seres vivos, pode ser estudada a partir de dois tipos de forças, ativas e reativas.

Ativas são aquelas que existem por si só.
Reativa existe para se opor à uma força ativa preexistente.

Todos nós somos movidos por forças ativas e reativas. Em momentos da vida uma delas prevalece.
Um forte é aquele que é referencialmente movido por forças ativas.
O fraco é o reativo. Quase que 100% do tempo reativo. Sempre espetando os outros, que se opõem, que vive para impedir o gozo do outro, o empata-foda.
Atividades clássicas de exemplos de forças ativas. A principal, força ativa por excelência, é a arte.
O artista é soberano. Ele faz aquilo que o corpo dele pede.

A arte em Nietzsche é tudo aquilo que o homem faz movido pela sua potência.

Agora vamos imaginar um professor incomodado com a altura do volume vocal do vizinho e que vem reclamar, é um reativo, age movido pela aula do vizinho. No dia que não tiver aula alta, ele não tem mais o que fazer. A existência dele depende da minha.
Se eu não estou ele não tem porque estar.

Atividade caracterista das forças reativas, toda a atividade burocrática.
Quem faz um regulamento. É o fodão que vive no mundo expandindo sua potência, ou é alguém querendo fuder esse primeiro?
Desde de criança, o porrinha que chama a tia pra dizer o fulano veio com a meia torta, o magistrado, o juiz. O papel do juiz é fuder.
Existe uma série de atividades reativas, que estão esperando alguém se expandir para furar o pneu. São reativos.
Quem estaria mais propenso a inventar as regras morais? Reativos.

A moral é uma produção do sindicato dos bundões. Dá certo por que não falta bundão.
Os reativos podem se unir. Como o objetivo geral é fuder o forte, eles conseguem se unir.
Os fortes não conseguem se unir. Não dá pra montar um time com o Schumacher e o Neymar.
Dá pra montar time com o Barrichello, o Bruno Senna, pra montar regra pra fuder o outro.
Os fracos se unem em associação, o forte está sempre sozinho, por quê a potência dele, não dá pra fazer sindicato.

O jargão muda entre Freud e Nietzsche, por isso não se costuma muito fazer essas pontes. Uma grande parte da nomenclatura psicanalítica é uma re-nomenclatura de tudo que estamos vendo aqui.
Quem denuncia isso é o professor Michel Onfray, nunca obra intitulada o Crepúsculo de um Ídolo, e o ídolo é o Freud, onde ele denuncia que na obra de Freud não existe nenhuma originalidade, e que o Freud se recusava a aceitar sua filiação filosófica.
O entendimento do conceito da ideia é mais importante do que saber de onde ela realmente veio. Isso é coisa de gente com prisão de ventre. Gente com vontade de dar. Que fica preocupado…

De quem foi a iniciativa de organizar a sociedade democraticamente? Reativos, é claro.
Se você vale dez e seu voto vale um, você se deu mal.
Se você não vale merda nenhuma e seu voto vale um, você se deu bem.
Como a maioria não vale merda nenhuma, saiu de zero pra um.
Na hora de decidir, decide o fraco, indigente, mentecapto. E as pessoas que tem força, talento, atividade, se fuderam, porque o critério é quantitativo. O tamanho do rebanho que conta. Isso causa desconforto, porque nascemos e crescemos no paradigma cristão de igualdade.
Quando Nietzsche ataca a democracia ele ataca a igualdade, quando ele ataca a igualdade ele ataca a forma religiosa de pensamento, em especial o pensamento cristão.

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